Enfrente o desafio: Vestibular!

São 9 encontros interativos em tom de conversa descontraída sobre os desafios que se enfrentam para passar numa prova de vestibular e as possibilidades de se conseguir este feito. O enfoque principal são as estratégias necessárias para que cada um consiga se fortalecer emocionalmente e superar seus pontos fracos.Os encontros têm duas horas de duração e são agrupados em 3 módulos temáticos, totalizando 18 horas. Ao final de cada encontro o participante realiza uma atividade que serve de vivência para o seu progresso pessoal. Além disso, os inscritos participarão de uma lista de discussões por email, onde poderão trocar idéias entre si e com a própria facilitadora do trabalho.O objetivo é despertar no participante, através de novas vivências e de suporte emocional, a autoconfiança e a motivação necessárias para conquistar sua vaga no vestibular.

Participe dos encontros que iniciam em Março!

O que você acha? Mais informações direto no site da Net salas
http://www.netsalas.com.br/eventos/renata_ilha/ri_work.htm
 

segunda-feira, 3 de março de 2008

Definindo o futuro profissional: Homeostase

Existe um conceito na Teoria Geral dos Sistemas que serve para entender porque sempre parece tão difícil mudar uma situação: a Homeostase.

Em todo sistema funcional a homeostase é a força que movimenta cada componente para que tudo fique sempre na mesma ordem, no mesmo lugar. Esse movimento visa preservar a estabilidade daquele sistema, sua rotina, sua identidade. Quando surge uma força oposta tentando alterar a dinâmica monôtona daquele sistema, a homeostase responde aumentando sua força de preservação para que o sistema não se altere. Neste caso, o sistema passa a ter duas forças atuantes: a homeostase (uma força centrípeda que puxa tudo de voltar ao ponto inicial, de sempre) e a mudança (uma força centrífuga que lança tudo a uma nova disposição).

Imaginemos que também somos um sistema. Dentro de nós habitam funções orgânicas, pensamentos, sentimentos, ações em potenciais que sempre respondem da mesma forma. Este é o nosso ponto de estabilidade, o nosso conjunto de características capazes de fazer cada um descrever "quem eu sou". Em muitos casos, esta homeostase é alimentada por muitos sonhos, alguns lamentos e pouca ação. Até que um dia o sujeito resolve inverter um tanto a sua dinâmica interna: os sonhos passam a impulsinar uma gama de ações que jogam de lado os lamentos. E é justamente este ímpeto de mudança que lança a pessoa, em muitos casos, em um abismo. A homeostase explode de maneira avasaladora, ou melhor implode a pessoa com as forças mais cruéis quando se quer mudar algo: "tô" sem vontade, não consigo, não posso, não quero mais.

Geralmente, vivemos este conflito nos momentos de transição em nossa vida, sejam aquelas transições esperadas (quando ingressamos na escola pela primeira vez, por exemplo), sejam as transições que escolhemos (quando queremos fazer uma faculdade). Acontece que a mudança, mexer no que está acomodado, cria um certo caos. Este caos muitas vezes é sentido com um incômodo, afinal ele nos leva a deixar de ser quem somos até então. Então a transição, a mudança, passa a significar uma crise. E é justamente neste ponto que recuamos, permitindo que a homeostase nos leve de volta a mesmice, carregados nos braços do desânimo e da depressão. O que não raciocinamos é que esta crise é um processo natural e necessário para que possamos atingir um novo ponto de estabilidade em nossa vida. Ei, e não é isso mesmo que se busca para o futuro pessoal, estabilidade?

Quando vejo alguém se queixando de que não consegue se concentrar para estudar, que quer muito mas sempre acaba ficando disperso, eu me pergunto a serviço de quê está atuando a homeostase dessa pessoa. Lembro o caso de uma moça que queria muito ingressar numa determinada faculdade para agradar seu pai. Porém, cada vez que sentava para estudar se sentia ansiosa, com vontade de chorar, e passava o restante do dia com um nó na garganta sem ao menos conseguir comer. Resultado: há dois anos tentava e não conseguia passar no vestibular. Perguntada sobre seu objetivo de faculdade, revelou que queria mesmo um outro curso mas que não podia ir contra seu pai. Eis o ponto de crise para esta moça: um movimento que ela faz para manter cumprir as regras entra em choque com uma força interna que impulsiona o desejo dela fazer outra coisa. Neste caso, ela fazia o que a homeostase ditava, na figura do pai, no entanto tinha um grande desejo de mudança guardado dentro de si. Poderia ser que até conseguisse ingressar no curso que era do agrado do pai, porém, não passaria pela faculdade toda sem uma boa dose de sofrimento.

Não adianta ficar se perguntando o que deve ser feito para evitar a crise, evitar a angústia. Não adianta porque não existe um jeito de mudar a situação, mudar as atitudes sem atravessar a crise. A cada desejo de mudança que surge, a homeostase aumenta e lança a pessoa de volta para o cenário de sempre. O que deve ser perguntado é de que forma se quer mudar, o quanto se quer mudar, para quê se quer mudar, como se buscará a mudança. Todos nós temos que enfrentar, de uma maneira ou outra, algum momento de crise. A diferença está em atravessar essa crise e vivenciar de maneira consciente tudo que ela acarreta (angústias, medos, desânimo, fracassos, retomadas) ou recuar cada vez que sentimos que a nossa homeostase nos puxa de volta à concha. É um pouco como escolher entre sofrer "em doses conta-gotas" ou sofrer "uma paulada de uma vez só". No primeiro caso se mantém a situação de sempre, o que pode gerar uma ponta de sofrimento, que se arrasta por muito tempo, por não fazer o que de fato se queria. No segundo caso, a batalha de se enfrentar a situação pode até deixar algumas marcas, mas aqui se tem a certeza de algo será modificado de fato.

Participe do ENCONTRO VIRTUAL "Enfrente o Desafio do Vestibular"